Viagem ao Passado: Memórias da Infância em Petrolândia-Pe
18/12/2021
Estamos a caminho do shopping em São Bernardo do Campo. Durante o trajeto, conversamos sobre minha infância e minhas memórias em Petrolândia, sempre tive muita facilidade em recordar de quando ainda era muito novinho, principalmente á partir dos cinco anos de idade, acho que o fato de ter morado em várias casas e quadras diferentes, também ter mudado da cidade para a Agrovila, facilita ter uma noção aproximada dos períodos e anos. Aqui compartilho essas histórias marcantes, repletas de simplicidade e momentos únicos que moldaram minha vida.
Origem e Primeiros Anos
Nasci em 1984 na pequena cidade de Paulo Afonso, na Bahia. Minha mãe, pernambucana de Petrolândia, tinha apenas 18 anos quando me teve. Foi uma mãe solteira e jovem, sem muita experiência, mas dedicada. Passei meus primeiros anos com minha avó, todos na mesma casa, minha mãe trabalhava duro para nos sustentar, vivi até os meus quatro anos na velha Petrolândia-pe, depois tivemos que mudar para a Nova cidade devido a construção da Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga, hoje a antiga Petrolândia encontra-se submersa.
A partir dos cinco anos, minhas memórias são de brincar na rua com amigos, subir em porcos como se fossem cavalinhos rsrs, jogar futebol e inventar nossas próprias diversões. A simplicidade dominava nossas vidas, mas a imaginação floria cada brincadeira.
Crescendo em Uma Família Grande
Minha mãe cresceu sem pai depois que meu avô faleceu. Ela tinha nove anos quando isso aconteceu e logo foi trabalhar como babá para ajudar em casa. Minha avó, por sua vez, criou nove filhos e mais três netos. A casa era sempre cheia e movimentada, com brigas, risadas e um clima de constante aprendizado.
Brincadeiras de Rua e Tradições Locais
Nossas brincadeiras eram criativas e, muitas vezes, improvisadas. Fazíamos "dinheiro" com carteiras de cigarro vazias e jogávamos bingo ou criávamos parques de diversão imaginários durante as festas da cidade. Recordo de quando minha mãe me levou para andar no carrinho de bate-bate pela primeira vez. Sem saber controlar, passei o tempo todo girando, mas saí dali feliz.
Nas festas, as ruas se enchiam de pessoas e bonecos gigantes, uma tradição vindo de Olinda. Em Petrolândia, esses bonecos eram chamados de "bonecos de panta", e nós, crianças, éramos atraídos pelo seu encanto.
Influências e Desafios
A vida ao redor era dura. Aprendemos cedo sobre limites financeiros. Apesar disso, havia muitas influências positivas. Desenhos animados, como "Super Campeões" e "Cavaleiros do Zodíaco", nos inspiravam a criar nossos próprios heróis e histórias na rua. Cada jogo de futebol se transformava em uma épica batalha imaginária.
Conflitos e Lições
O ambiente em que crescemos não era perfeito. Havia conflitos e desentendimentos frequentes, tanto em casa quanto nas ruas. Algumas crianças, mais velhas e maldosas, tentavam nos intimidar. Apesar disso, sempre encontrávamos maneiras de aprender e crescer com essas experiências.
Conclusão
Revisitar essas memórias é mergulhar em um passado simples, mas cheio de vida. As dificuldades e as brincadeiras moldaram o que sou hoje. Minha história de infância em Petrolândia é uma mistura de desafios, amor e muitas lições valiosas. E assim, sigo contando essas histórias para meu filho, como um vínculo eterno com nossas raízes e memórias familiares.